Um facto que é causa de confusão para muitas pessoas são as muitas religiões que há no mundo. Em vez de ficar centrado na variedade enorme de religiões, porém, quero considerar outra verdade que este fenómeno revela: pelo mundo fora as pessoas sentem a necessidade de alguma ligação com Deus. É verdade que muitos negam a existência de Deus e muito mais agem como se Ele não existisse, mas a divisão entre as pessoas religiosas e ateus/agnósticas não é entre as pessoas cultas e as ignorantes. Por mais que alguns queiram que a religião desapareça, ela persiste século após século entre povos humildes e cultos. Porquê?
É evidente que há algo comum na experiência humana que pede contacto com Deus e que reconhece que é preciso procurá-lO. O meu propósito agora não é defender uma religião contra as outras, mas olhar para a solução proposta pela Bíblia Sagrada. Há muitas boas razões para acreditar que essa mensagem foi, de facto, mandada por Deus através dos Seus profetas, mas não é o meu propósito abordar esta questão.
A mensagem da Bíblia, a partir do primeiro capítulo, é que tudo o que vemos no universo não é eterno. Foi criado pelo Único que existe desde sempre, Deus. Esse mesmo Deus é de tal forma poderoso que todas as estrelas, os planetas, e as galáxias foram formados por Ele. Esse Deus é de tal forma inteligente que concebeu e criou os seres vivos em toda a sua complexidade e equilíbrio. A Sua capacidade intelectual e criatividade artística estão à vista todos os dias, e ainda não vimos tudo.
Mas este Deus não é apenas inteligente e poderoso. Um ditador cruel pode ser isso. Deus também é um ser pessoal e moral. Ama a justiça, a honestidade, a fidelidade, a verdade, o amor e muito mais. Como diz o Salmo 33:5: “Ele ama a rectidão e a justiça; a terra está cheia da benignidade do Senhor.” O amor caracteriza Deus de tal forma que o apóstolo João escreveu “Deus é amor”. (1 João 4:16).
Muitos põem em causa o amor de Deus. “Se Deus existe, por que é que Ele deixa que as crianças morram de fome? Por que é que não dá cabo às guerras?” Não podemos dar respostas rápidas a estas questões, mas considere isto: Deus criou o homem de tal forma que nada disto tinha de acontecer e acontece pela maldade dos homens, não por algum mal ou indiferença da parte de Deus.
A Bíblia diz que Deus criou o homem à Sua própria imagem. (Génesis 1:27) Deus é um Espírito (João 4:24), portanto não se trata de semelhança física mas da essência da nossa natureza. Por isso o ser humano também é um ser moral e no seu estado original não lhe passava pela cabeça actuar de outra forma senão com justiça e amor.
Mas o homem acabou por desobedecer a Deus, julgando que ele sabia melhor o que era bom para ele. O resultado foi a corrupção e todo o mal que presenciamos entre os seres humanos: guerras, doenças, conflitos familiares, processos nos tribunais, toda a espécie de avareza e injustiça, bisbilhotice e o resto duma lista comprida de mais para mencionar todos eles.
Aliás, se compreendêssemos melhor o que o ser humano (nós todos) veio a ser, não perguntávamos porque Deus permite a guerra, a doença e todo o mais. Perguntávamos era porque Deus ainda não deu cabo à humanidade.
Mas, para além de perdermos a beleza da imagem de Deus em nós, perdemos muito mais. Esse “mais” que perdemos é o resultado directo do juízo de Deus sobre a humanidade: a própria terra ficou corrupta (Génesis 3:17, Romanos 8:20). Pior ainda, o homem morreu. No início o homem viveu em perfeita comunhão com Deus. Sentiu-se perfeitamente realizado porque estava completo em Deus. Mas, virando as costas a Deus, morreu. Não caiu morto nesse mesmo dia, mas ficou cortado de qualquer relacionamento com Deus e no seu corpo começou o processo de degradação gradual até ao dia da sua morte física. E se Deus não interviesse, ficava eternamente separado de Deus.
O apóstolo Paulo escreveu: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” e “O salário do pecado é a morte”. (Romanos 3:23, 6:23). Ao contrário duma ideia popular, a punição do nosso mal não é só aqui na terra e os que rejeitam a solução que Deus oferece serão eternamente separados do Seu amor. (Mateus 5:26) Embora muitos gozem com a ideia ou afirmem que um Deus de amor não é capaz de tal coisa, haverá, segundo a Bíblia, um dia de juízo final. A Bíblia não diz isso para nos manipular ou assustar, mas para nos advertir, para que estejamos preparados.
Portanto, nós temos dois problemas: 1) Como podemos ser restituídos à beleza da imagem de Deus, livres de toda a maldade que nos aflige a nós e aos outros ao nosso redor? 2) Como podemos ser perdoados por Deus, restituídos à vida eterna na alegria da Sua pessoa?
Quase todas as pessoas em países de raízes cristãs sabem que a solução proposta pela Bíblia tem a ver com a morte de Jesus Cristo numa cruz. O apóstolo Pedro escreveu:
Este versículo diz-nos muita coisa. Primeiro, diz que Jesus, sendo sem pecado, morreu no lugar dos pecadores. Isaías escreveu:
Como já vimos, “o salário do pecado é a morte” e isto não apenas, nem principalmente, uma morte física. Jesus, sem maldade nenhuma, levou esse pena sobre Ele no nosso lugar. Mais ninguém pode morrer no nosso lugar porque o mais que outro homem pode fazer é morrer pelos seus próprios pecados. Como prova de que a morte de Jesus serve, como Ele disse, para pagar a nossa sentença, ressuscitou dos mortos.
Então a solução proposta pela Bíblia é esta. Jesus veio não apenas para nos dar bons ensinos e um bom exemplo, mas veio com o propósito de morrer, carregando sobre Ele próprio os nossos pecados.
Resta só uma questão e esta é a mais importante. Só o facto de Jesus ter morrido pelos nossos pecados não garante o perdão. Jesus não veio apenas para nos adquirir uma apólice contra incêndios (o inferno). Ele veio para nos restaurar a beleza da imagem de Deus em nós. É mais do que evidente que a vasta maioria do mundo ainda é “feia” do ponto de vista de Deus.
Então a pergunta é: como podemos adquirir o perdão de Deus e entrar no caminho duma vida transformada? Como é que a morte e ressurreição de Jesus me pode valer a mim? No dia de Pentecostes, os judeus em Jerusalém perguntaram isto mesmo a Pedro. Ele respondeu:
Pedro não disse: “seja baptizado” só. Um acto exterior nunca nos pode transformar nem ganhar o perdão de Deus. Sem o arrependimento o baptismo é um acto vazio. É molhar-se, mais nada. Até que reconheçamos, confessemos, lamentemos e desejemos viver doutra maneira, não encontramos o perdão, nem recebemos o Espírito Santo. O grande problema da humanidade é que não quer dar o braço a torcer a Deus. Reconhecemos que fazemos coisas que não devíamos fazer, mas temos uma série de desculpas para esses comportamentos. “Não sou pior do que os outros e melhor do que a maioria.” “Se Deus não conseguir perdoar uma pessoa como eu, ninguém se salvará.” “O que é que Deus quer? O ser humano é fraco.” “Nunca matei nem roubei a ninguém.” Todas estas frases são maneiras de dizer: “Eu não sou tão mau como isso” e exactamente o contrário do arrependimento.
Mas o baptismo é necessário também. Não é que o acto de baptismo salve, mas é a confissão da nossa fé em Jesus Cristo e na Sua morte e ressurreição por nós. Por isso a palavra “fé” é usada muito mais do que “baptismo” quando a Bíblia fala do que é necessário para a salvação:
Quando há arrependimento e fé sincera, Deus concede o Seu Espírito Santo, que entra na nossa vida e nos transforma e vai-nos transformando ao longo da vida. O cristianismo sem uma vida transformada é como um bebé nascido morto. Parece com uma pessoa, mas não tem vida.
Resumindo, o que é necessário para que tenha o perdão de Deus e o Seu Espírito transforme o seu ser? É preciso chegar a Ele em oração, confessando humildemente que é pecador e que merece a Sua condenação. Depois é necessário pedir-Lhe o perdão pela obra de Jesus a seu favor.
Podia deixar aqui uma oração que serve como modelo, mas resisto à ideia porque muitas vezes as pessoas acham que repetir uma oração tem algum valor. Não são as palavras que fazem um crente, mas a sinceridade do arrependimento e da fé. Portanto, fale com Deus onde quer que se encontre, usando as suas próprias palavras. Deus deseja recebê-lo como filho. Não é a sua escolha de palavras que vá salvá-lo ou condená-lo mas se está disposto ou não a deixar de confiar no seu próprio esforço para ser bom e religioso, confiando somente no dom gratuito de Deus através de Jesus Cristo.
Depois, contacta-nos. Queremos ajudá-lo a caminhar nesta vida sem igual!
-Pastor Jónatas